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O que fazer com sua sucata de vidro?

O que fazer com pedaços de vidro que não podem ser utilizados? A pergunta que muitos profissionais vidreiros se fazem tem uma resposta mais simples do que parece. A equipe de O Vidroplano conversou com fabricantes, processadores e empresas de reciclagem para saber quais as soluções existentes para o descarte de cacos e pó de vidro. Veja quais as opções disponíveis no mercado nas páginas a seguir.

Quais processos geram sucata?

Cacos:

Todo vidro que não pode ser utilizado no processamento é considerado sucata. São diversos os motivos:

  • Retalhos (pedaços que sobram) do processo de corte que não possuem tamanho adequado para serem aproveitados;
  • Cacos que surgem de quebras durante a lapidação, furação ou no forno de têmpera — seja pelo manuseio errado das peças ou defeitos de fabricação;
  • Baixa qualidade da matéria-prima, revelada pela presença de bolhas no vidro, por exemplo;
  • Peças enviadas pelos fabricantes de vidro que não estão de acordo com o pedido realizado. “Podemos dizer que a sucata gerada em todo o processo está em torno de 11% a 12% do vidro que entra na empresa”, comenta Albert Pestana, diretor-industrial da Pestana Vidros.

Pó de vidro:

É gerado durante dois processos:

  • Lapidação — polimento das bordas da peça;
  • Furação/recorte — feitos para o encaixe de ferragens e acessórios.

O que fazer com os cacos?

Reciclagem:

“O mercado ainda não nos oferece muitas opções para a comercialização dos cacos”, opina Vânia Felix, gerente-administrativa da New Temper. A melhor opção, sem dúvidas, está na reciclagem do vidro, escolha de inúmeras processadoras pelo Brasil, incluindo Brazilglass, Divinal Vidros, DVM Vidros, GlassecViracon, New Temper e Pestana Vidros. “Além de atender às normas ambientais de destinação, gera receita e possibilita a reutilização desses resíduos pelas empresas vidreiras, economizando recursos naturais e energia”, explica Maurício Zaramella, coordenador de Logística da GlassecViracon.

Como fazer?

Para isso, é necessário entrar em contato com uma empresa especializada nesse serviço. De forma geral, essas companhias são responsáveis por coletar, tratar e destinar o vidro. Elas pagam às processadoras pela tonelada do material, de acordo com o tipo do produto (incolor, colorido, laminado, espelho etc.), e depois vendem para a indústria.

Qual o destino?

“Atualmente, grande parte dos nossos volumes se destina à fabricação de float ou embalagem”, comenta Juliana Schunck, diretora da Massfix, uma das maiores empresas de reciclagem de vidro no País. “Entretanto, também destinamos para outros segmentos, como sinalização viária, jateamento e cerâmica.”

Vantagens

Para o diretor-propretário da Pastglass, Benedito Aparecido Bueno, em relação ao custo-benefício, a coleta é a melhor forma de reúso da sucata. “Caso a empresa geradora queira destinar o material para aterros, terá de pagar muito caro”, diz ele. Sua companhia, especializada em reciclagem, também cria objetos decorativos com cacos, como fruteiras e lustres — mais uma forma de atrair lucro a partir de resíduos. A processadora Brazilglass também ganha dinheiro assim. “Vendemos sucata de laminado para fábricas de lustres e materiais de decoração”, comenta o diretor-comercial Carlos Almeida.

Retornar ao fabricante

Algumas fabricantes de vidro nacionais possuem programas para que seus clientes retornem os cacos.

Vivix

Em fevereiro de 2015, a Vivix criou o Projeto Capta Caco. A ideia é simples e se baseia na gestão de logística reversa: a Vivix compra os cacos dos processadores e estes podem enviar a sucata quando forem retirar um pedido de vidro na fábrica. Além de eliminar o custo de descarte em aterros por parte das empresas, o projeto ainda gera receita para elas. Para participar, o cliente deve enviar materiais livres de impurezas e separados por cores.

Guardian

Cerca de quarenta clientes participam de forma contínua do programa oferecido pela Guardian. “Incentivamos o retorno dos cacos no mesmo caminhão que carregará vidro em nossas unidades”, revela o gestor nacional de Meio Ambiente, Saúde e Segurança, Cléber Campos. “Em situações específicas, estabelecemos uma rota de coleta de cacos em locais de concentração”. A empresa afirma que todo caco recebido é revisado e avaliado para garantir que não existam contaminantes (sujeira, rebolos etc.) ou mistura entre cores de vidro.

A Cebrace, consultada a respeito, informou não possuir iniciativa desse tipo. As outras fabricantes também foram contatadas pela reportagem de O Vidroplano, mas, até o fechamento da edição, não retornaram com informações.

Bolsa de Resíduos da Fiesp: solução para compra e venda de descarte

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) possui, desde 2002, uma solução para fazer com que as empresas lucrem com a venda e compra de material descartado. Trata-se da Bolsa de Resíduos, um serviço gratuito e simples: basta se inscrever no site www.fiesp.com.br/servicos/bolsa-residuos-fiesp e cadastrar sua sucata.  Assim, outras empresas poderão ver seu anúncio e entrar em contato.

Vale lembrar que a negociação não se dá por meio da plataforma — isso é de responsabilidade dos usuários. O objetivo da iniciativa é oferecer um espaço para a troca de informações. “Dos mais de 2.600 inscritos, cerca de 80% são pequenas e médias empresas”, revela Ricardo Garcia, criador do programa e membro do Departamento de Meio Ambiente da entidade. Qualquer empreendedor pode participar da Bolsa de Resíduos, basta possuir CNPJ.

Vidraceiros: como eles descartam

Vidraçarias também geram sucata, porém em menor quantidade se comparada às processadoras. Para elas, o descarte não tem segredos: o vidro deve ser levado a aterros ou coletado por empresas de reciclagem. Algumas processadoras oferecem parcerias para a coleta, separando caçambas especiais para o vidraceiro descartar seus materiais. Portanto, vidraceiro, pergunte ao seu fornecedor se ele recolhe sucata.

O que fazer com o pó de vidro?

O material deve ser tratado antes do descarte. Para isso, a empresa precisa ter uma central de tratamento de água. Em geral, o processo ocorre da seguinte forma:

  • A água utilizada na lapidação e furação, misturada com o pó de vidro, descansa em tanques decantadores;
  • Nessa mistura, são aplicados floculantes, substâncias químicas que separam materiais sólidos de líquidos;
  • A massa de pó é retida enquanto a água é filtrada para ser reutilizada no processamento do vidro;
  • Por fim, a massa de pó deve secar antes de ser embalada para o descarte. O ambiente correto para a destinação do pó de vidro é o aterro industrial — local próprio para receber resíduos sólidos produzidos por empresas. “Creio que muitos não se preocupam com o destino final, dispensando em lugares impróprios para esse fim”, alerta Fernando Passi, da Divinal Vidros. Todas as processadoras precisam estar atentas à forma de descarte para neutralizar seu impacto ambiental.

O que a legislação diz sobre o descarte de resíduos?

A principal lei brasileira a tratar do assunto é a 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que define diretrizes para o combate à poluição. A implementação da logística reversa pela indústria é abordada na PNRS, assim como outros objetivos fundamentais:

  • Redução na geração de resíduos; • Reutilização, reciclagem e tratamento;
  • Disposição final adequada de rejeitos (materiais que não podem ser recuperados). Vale salientar que o descarte ilegal de resíduos sólidos é crime ambiental.

 

Este texto foi originalmente publicado na edição 521 (maio de 2016) da revista O Vidroplano.