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O Vidro

O vidro é uma substância líquida inorgânica obtida através de um composto básico de areia (sílica): 72%, sódio: 15%, cálcio: 9% e outros: 4% que elevados a temperatura de aproximadamente 1500 ºC, forma uma massa em estado plástico de altíssima viscosidade, que aumenta na medida em que se resfria, mantendo-se em estado de sobrefusão sem cristalizar. A coloração é obtida pela adição de elementos tais como: cobalto (vidro azul), óxido de cobre (vidro verde), óxido de ferro (vidro bronze), sulfato de zinco (vidro fumê), etc.

O vidro tem incontáveis aplicações nas mais variadas indústrias, dada suas características de inalterabilidade, dureza, resistência e propriedades térmicas, óticas e acústicas, tornando-se um dos poucos materiais ainda insubstituível, estando cada vez mais presente nas pesquisas de desenvolvimento tecnológico para o bem estar do homem moderno nos mais variados setores, como por exemplo:
Vidro plano, vidro oco (frascaria e embalagens), lentes, fibra ótica, lã de vidro, lâmpadas, enfim, uma gama incontável de aplicações.

Pouco se sabe sobre a origem do vidro. Sua descoberta acidental pode ter ocorrido entre 3000 e 2000 a.C., em regiões como o Egito ou a Mesopotâmia. Os autores contam que os fenícios foram, provavelmente, o primeiro povo a observar a formação de um líquido transparente quando os blocos de nitrato que utilizavam para cozinhar derretiam e se misturavam à areia. Em 1500 a.C., artesãos egípcios já produziam vasos com o material e o primeiro manual de fabricação de vidro apareceu na Assíria por volta de 650 a.C.

Os pesquisadores relatam que a novidade foi levada para a Europa ocidental pelos romanos, que aprenderam com os sírios a técnica artística do sopro de vidro. Com a expansão do Império Romano, a descoberta foi popularizada e, no século 13, Veneza tornou-se o maior centro produtor do material no mundo ocidental. Garrafas, janelas e instrumentos científicos de suma importância passaram então a ser produzidos em larga escala.

A partir daí, a vida tornou-se mais prática e confortável na Europa e o progresso científico cada vez mais acelerado. "Recipientes de vidro simplificaram o transporte e a estocagem de comidas, bebidas e medicamentos; estufas ajudaram a desenvolver a agricultura e faróis e lanternas facilitaram a vida noturna", exemplificam os autores.

O artigo destaca a importância do vidro para a investigação científica: sem instrumentos como barômetros e termômetros, gases não teriam sido estudados e máquinas a vapor, eletricidade e lâmpadas não existiriam. Sem microscópios, seria impossível observar microrganismos e não haveria revolução médica; não conheceríamos as células e seu funcionamento e a genética seria ainda um mistério.

A arte foi igualmente influenciada pelos novos caminhos abertos pelo vidro. O estudo da ótica e o surgimento de espelhos, lentes e vitrais foram imprescindíveis para as mudanças ocorridas durante o Renascimento.

Os autores concluem que o vidro está por trás de quase todas as transformações que a Europa ocidental conheceu entre 1200 e 1850 - intervalo de tempo por eles estudado. Esse material foi fundamental para o advento das revoluções científica e industrial, que mudaram o mundo. "O vidro abriu a mente e os olhos das pessoas para novas possibilidades de observação, ao transformar a percepção humana da forma auditiva para a visual", afirmam.

O seu uso na arquitetura de prédios é o grande responsável pela enorme produção e avanços tecnológicos.

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